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terça-feira, 10 de março de 2015

Gravidez

Sim, estou grávida (ainda que minha ficha não tenha exatamente caído) e por isso deu-se início a uma nova fase em minha vida e para a qual eu absolutamente não estava preparada.

Assume-se que por ser mulher, descolada e moderninha, eu saberia tudo o que fosse necessário para passar por essa fase (?) instintivamente. Errr... nop! Descobri que meus conhecimentos acerca do assunto eram tão parcos e cheios de coisas sem sentido que fiquei mal.

Isso, contudo, não me fez debruçar nos livros, mas me jogou para minha zona de salvação e oráculo favorito, a internet. Essa bandida, território de ninguém, que também ajuda a disseminar o terror, e foi responsável por muito dos medos que tenho enfrentado nesse fim de gestação.

Na prática, aprendi bastante coisa. Ainda que tenha tido uma gravidez tranquila (até então ao menos), alguns conselhos podem ser de grande valia pra quem está iniciando a jornada agora. 

- Misturar comidas vai lhe fazer enjoar, bem como comer doce demais. Aliás, comer demais fará mal de maneira geral. O certo são pequenas porções em intervalos menores.

- Todo mulher tem plena consciência de que deve evitar uma dieta muito trash, mas ainda assim é irresistível atacar a lata de leite condensado (inteira) e por a culpa na gravidez. Sinceramente, isso me dava um prazer tão grande que até acho que valeu os quilos a mais. O duro é evitar que esses deslizes virem regra.

- Na contramão do dito acima, evite ganhar muito peso a qualquer custo. Isso porque no final da gestação sua barriga (e seu corpo todo de uma forma geral) estará tão grande que a impressão que tenho é que uma grama a mais e eu literalmente explodo. Isso acarreta em desconforto, atrapalha o sono, deixa a respiração curta e traz dores. 

- Roupa de gestante não são uma futilidade. Elas se adequam ao seu novo corpo. Minhas roupas normais deixaram de servir lá no quarto mês. No começo dá até pra adaptar, mas com o andar da carruagem convém investir (não muito, fuja das lojas especializadas! Elas enfiam a faca no preço. Vá para as populares!) em um jeans, uma boa legging (que não aperte a barriga) e uma (ou duas) calças molengas. As camisetas eu "espichei" até o último trimestre, quando comprei um trio de básicas na H&M. Vale muito pegar coisas emprestadas (valeu mamãe)! Afinal, é por um curto período de tempo.

- Aliás, se querem mesmo saber, roupa de gestante eu comprei: uma calça jeans, uma calça de linho branca e as três camisetinhas, além de três sutias para amamentação e um para maternidade (senhora bênção!). Já roupa normal em tamanho maior comprei três vestidos e uma camisola. No mais tenho usado as minhas coisas (largas) e umas peças que mamis emprestou. Fuja das alcinhas, principalmente no fim da coisa. Com esse braço de biscoiteira e carninhas pulando para todo o lado elas acabam com qualquer auto-estima!

- Ainda no tema roupas, vestidos soltinhos são uma benção! E podem ser reaproveitados. Roupas íntimas... precisei comprar duas vezes. Uma no 2o trimestre e agora no 3o trimestre (ninguém me falou que isso seria necessário!). Esqueça as calcinhas sexies (você vai querer queimá-las!) e invista em algodão (conforto, uma necessidade). De novo, dessas baratinhas, afinal o objetivo é voltar ao corpinho de antes, certo?

- Pijamas! Seus melhores amigos junto com o travesseirão (um monte de travesseiros também cumprem o papel).

-  Faça exercícios. Ajuda na sanidade mental além de te preparar para o que está por vir. Nesse sentido, só fui me sentir acolhida e mais "mãe" quando entrei para yoga pré-natal. Estar com outras grávidas desperta esse sentimento, seja pela camaradagem ou pela semelhança física.

- Não acredite em tudo que a internet diz, muita coisa ali é publieditorial disfarçado de depoimento. Pesquise, pesquise, pesquise. Leia reviews, notas e compare opiniões antes de comprar. Coisas de bebê são caras demais pra não se importar com erros.

- Tudo que for voltado para "mamãe e bebê" automaticamente será super inflacionado. Um bom exemplo são os móveis para o quartinho. Além da qualidade ser altamente questionável (e o design horroroso), se você buscar em outra sessão a mesma peça consegue economizar um bom dinheiro (basta customizar ou adaptar. Eu queria móveis antigos, mas aqui onde estou isso não existe).

- Faça seu book maternidade entre o 5o e o 6o mês. É quando você estará mais bonita! Depois disso você vira um balão e antes não tem muita graça.

- Dê-se pequenos tratos. Manicure, pedicure, uma ida ao cabeleireiro, MASSAGEM.... diria uma boa depilação para voltar a se sentir gente, mas isso é tão dolorido que não posso recomendar... eu tentei e desisti no meio do processo. Sad but true.

- Faça listas e estabeleça uma timeline. Atenha-se a ela e não entre em pânico!

- Resista ao impulso de sair comprando roupinhas fofas. Dizem que elas são perdidas rápido e a verdade é que você acaba ganhando tanta coisa.

No mais, eu ainda estou descobrindo coisas. A primeira visita a uma loja de bebês foi intimidadora. Todos aqueles itens e eu (nem marido) sem saber o que realmente precisávamos e o que era superfluo. Demoramos para comprar nossas coisinhas, mas agora acho que cobrimos quase tudo. Falta apenas o sling porque não conseguimos achar aquele que eu quero (um que vi e testei numa loja de Hong Kong, lá no início da gravidez). Ah, e claro, decorar o quarto!

sábado, 21 de junho de 2014

Asas

Dia desses, folheando meu diário (aquele caderno que guarda os segredos pesados demais para serem postados aqui) achei essa poesia. Escrevi há tempos, mas certas coisas nunca mudam.

Certo dia ganhei asas e aprendi a voar,
Fui cada vez mais alto, cada vez mais longe
Até que um dia, enquanto planava pelo infinito
Arrancaram minhas asas e eu caí.
Machucou tanto!
Mas o que dói mais é não poder voltar a voar.

Falta um pouco de coesão, eu sei... mas achei bonitinho!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Brasil Burro I - Educação Política

Eu tenho andado tão enojada com meu próprio país que quando me perguntam se pretendo voltar a morar lá quase grito não. E não se trata da política corrupta e falha tão somente, mas de tudo que diz respeito a população em geral. Acho que cansei de brasileiros.

É imperativo traçar uma linha divisória entre os dois diferentes "Brasis" que enxergo. O geográfico, pelo qual entende-se tudo aquilo provido pela natureza, como as paisagens exorbitantes, fauna e flora inigualáveis e a beleza em geral que me enche de orgulho. E o político, formado basicamente de povo.

Ferve-me o sangue brasileiros e suas "coisinhas" irrelevantes a nível global mas tidas como prioridade nas discussões (quando) existentes. Seus discursos populistas - tão rasos, sua fúria fugaz, sua preguiça absurda (Macunaíma, finalmente te entendo!), seu falar errado, sua moral deturpada.

"É tudo culpa do governo". Por muito tempo eu neguei isso, querendo que cada um assumisse sua própria responsabilidade. Só que pensando bem, estão certos. De fato a culpa é do governo por ter deixado de ser governo para se tornar mãe, relegando a massiva população ao status de criança birrenta.

Quantas vezes não ouvi que "meus 319 filhos não vão para escola porque o governo não deu..." (insira aqui a opção que mais lhe convém). E desde quando isso é responsabilidade do governo? Onde está a sua responsabilidade como pai/mãe de CRIAR o seu próprio filho e lhe prover o básico???

Eu lembro dos meus pais cortando um dobrado para pagar a mensalidade da escola. Lembro que eu usava um tênis horrível, todo remendado (e era motivo de chacota dos riquinhos da turma, mas também tinha personalidade o suficiente para não dar atenção a isso), pois era o que podia arcar com e ele tinha que durar um ano letivo inteiro (ao menos). Lembro das histórias que minha mãe contava de que ela engraxava o jornal que colocava dentro dos seus sapatos para cobrir os furos e não deixar entrar frio, porque meus avós não tinham condições de comprar sapatos novos (e ela estudou em escola pública). Onde foram parar esses valores? O orgulho?

Penso que talvez esteja me cercando de fontes erradas, mas ao ver a entrevista da menina que precisa de uma roupa importada nova para cada "rolezinho" (que diacho é isso??) enquanto a mãe rala como doméstica sinceramente é surreal! Nesse caso a culpa é do governo ou da mãe que não soube educar a filha? Eu diria do governo, por ter assumido o papel de educador em busca de deixar o povo tão burro a ponto de não saber mais valores e moral.

Contudo, esse é exatamente o ponto onde o governo quer chegar. Com o "emburrecimento" generalizado, a falta de uma elite pensante e a total ausência de parâmetros morais e éticos fica fácil tornar o Brasil uma baderna, missão, aliás, cumprida!

O que vejo estando fora do Brasil (e respirando civilização) é que nós brasileiros (por óbvio, eu inclusa) somos burros, no sentido de ignorantes mesmo. Não por não termos inteligência (o jeitinho brasileiro taí pra nos defender), mas porque nos falta conhecimento e estímulo para buscá-los.

"Mas prá que eu preciso aprender história se não vou usar isso no futuro?". Porque você vai! Uma hora ou outra esses conhecimentos serão cobrados e isso tende a ser no momento mais inconveniente, ou seja, quando você está numa confraternização e longe do Google. Dia desses num jantar um senhor dinamarquês me deu uma verdadeira aula sobre política brasileira, nomeando TODOS os governantes desde a ditadura, seus feitos, fracassos e efeitos para História e eu sequer lembrava quem tinha vindo antes do Collor... fora que meu conhecimento acerca da vida política dinamarquesa (ou qualquer outra coisa que não seja a bandeira e cor do cabelo) é nula.

Converse com qualquer europeu, ou melhor, com qualquer pessoa não pertencente ao continente americano, e você terá uma saudável discussão em qualquer tópico mundial que escolher (já testei isso). Eles tem acesso a informação de verdade, debates de verdade e sabem mais sobre a nossa história que nós mesmos!

Enquanto isso brasileiros se isolam nas suas "comunidades" onde podem discutir burramente lindamente a vida dos outros. Ah, como gostam de picuinhas! Se falam de política, inflamam-se como fósforos, e já se apagam, afinal há uma regra velada de que não se deve aprofundar nesses assuntos.

Dia desses tentava listar pessoas com as quais convivi que eram dignas de admiração. Lembrei dos meus estágios jurídicos e sim, havia seres pensantes por lá, ainda que a grande maioria fosse fraca de caráter (no que tange ao trato as mulheres e a filosofia do "soy macho", matéria para um próximo texto).

Sendo o Poder Administrativo um maníaco controlador que transforma seus cidadãos em muppets, o Judiciário esse Olimpo inatingível sem colhões pra de fato se impor e por alguma ordem (poupe-me dos confetes jogados como cortina de fumaça para encobrir os conchavos políticos armados no backstage) e a mídia comprada (sem exceção), quem poderá nos salvar?

A mídia, aliás, é o que mais me frustra! Ela deveria ser nossa Atenas, justiceira e incansável, retirando os véu, mas pelo contrário, no Brasil presta um desserviço por ser ordinária, vil, covarde e pequena. Assista a tv holandesa ou acesse um dos três maiores sites de notícias de lá. A liberdade para dizer o que se pensa, doa a quem doer e sem o bullshit discurso do politicamente correto para talhar jornalistas. Ok, há lá suas falhas, mas ao menos eles tem coragem e o povo acesso a informações neutras, com a dádiva de poderem analisar por conta e tomar seu posicionamento de forma legítima, sem manipulações.

O Brasil é tão rico (culturalmente falando), tão grande e tão importante, que triste não define sua situação. Somos (nós, brasileiros) um bando de pirracentos mimados que consideram os Estados Unidos o supra sumo do Universo (estamos tão errados!).

Eu vivi nos Estados Unidos e portanto tenho conhecimento de causa. Asseguro que a maior virtude dos americanos é serem mestres em marketing. Só isso. Nós temos muito mais bagagem histórica e cultural, mas não nos valorizamos. Nos vendemos por marcas que para eles são populares (e lá custam baratinho). Um parênteses para a menina do "rolezinho": as marcas que ela citou, se usasse nos EUA seria considerada classe baixa, ou seja, tudo no mesmo e você não tem o reboco do seu barraco além de fazer miserável a vida da sua mãe!

Eu falei, desabafei, escrevi parágrafos, enchi esse post de letras, mas solução mágica não tenho. Aliás, tenho: internet! Com a imprensa comprada (sim, você assiste Globo, acompanha novelas - e isso não é mal, desde que se informe por outros meios) e voltada para manter-nos cegos. Com um governo satisfeito com os resultados que atingiu, afinal, quem de nós de fato levanta e luta? E demais poderes amedrontados, de novo, quem poderá nos salvar?

Precisamos de um herói e rápido. Vivemos num mundo capitalista que basicamente serve-se de explorar os mais fracos. Nós somos fracos e tolos sentados sobre uma mina de ouro. É impressionante que ainda sejamos soberanos!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Mundo Segundo os Brasileiros

O dia começou promissor, ônibus no ponto no horário esperado, pronta resposta da equipe na Macau Tower, mas ainda assim o nervosismo me acompanhou por todo o trajeto até o hotel onde me reuniria com a equipe de gravação.

Não sei explicar se as borboletas que se agitavam no meu estômago tinham origem no fato de passar o dia gravando um dos meus programas de TV favoritos ou se derivava da minha iminente queda do maior bungy jump do mundo. Ok, esse não era o meu primeiro salto, mas comparar 40 metros de altura quando se tem o espírito rebelde e no auge da sua adolescência aos 233 metros de queda livre que me aguardavam é até ridículo. Despedi-me do meu marido com mil I love you, e me entreguei a trilha sonora no sacolejante coletivo.

No hotel, ali no lobby mesmo, fui equipada com o microfone, enquanto diversos chineses me olhavam (ou ao menos eu assim pensava) enquanto sem qualquer vergonha subia o vestido e prendia os plugs por meia e decote.

Uma vez dentro do taxi, rumamos ao início das gravações. Na agenda estavam previstos Macau Tower, Portas do Cerco, MercadoVermelho, Three Lamps District, Hotel e Casino Lisboa, uma voltinha de triciclo e o encerramento com bolinho de bacalhau.

Começar a gravar foi estanho. Riso nervoso, insegurança com as mãos (estou mexendo-as demais? De menos? Meu cabelo está em ordem??? Droga... a postura, cadê minha mãe nessa hora pra me lembrar de ficar reta? E a voz... Deus, onde foi parar minha oratória? Fugiu... junto com meu vocabulário, só pode!). Achamos um lugar lindo, a beira de um lago (milagre!) de águas limpas, calmo e elegante. Lara me bombardeou de perguntas... não lembro mais o que respondi, só sei que deveria dizer que amo minha família e sinto falta deles (todos eles) todos os dias. Mas ao invés disse morrer de saudades da Nina. Isso é verdade, mas me persegue o remorso de não mencionar os meus... afinal, rede nacional não deixa margem para dúvidas (será que ainda posso acrescentar esse depoimento?).

Dali, Macau Tower. O Henrique, portuga gente boa que agilizou as coisas estava a nossa espera. Sessenta e um andares depois, o deck e a vista de tirar o fôlego. Gravamos algumas cenas, repeti a mesma fala diversas vezes e ouvi ilimitados “não olhe para câmera”/“descontrai”. Eu sabia que não seria fácil, mas não pensei que isso se daria por eu estar “profissional” demais.

Foi decidido que a primeira aventura seria o Sky Walk, imagino eu que para “relaxar” só que tudo que eu pensava ao olhar para baixo era “gente, vamos saltar logo antes que a coragem vá embora. O Sky Walk consiste em uma caminhada pela plataforma externa da torre, preso a um cabo (que eu torcia para ser de aço). Muito mais relax e divertido do que eu esperava, não demorou muito e eu já estava correndo e saltando como se estivesse a poucos centímetros do chão, o que levava ao delírio o horda oriental que me assistia, fotografava e filmava.

Aliás, essa é outra experiência surreal. Por três horas eu fui famosa, com direito a muitas fotografias, gritinhos e sorrisos. Sinceramente, não sei do que as celebridades reclamam, pois pra mim foi tão legal!

Desequipa e equipa de novo, dessa vez pro salto. Troca sapatos, tira mais foto, pesa e repesa (droga, como foi que ganhei cinco quilos naquela balança???), abre-se a porta da plataforma e o vento frio me abraça. Estou a dez passos do abismo, versão literal.

Temporariamente distraída pela pequena entrevista com o neozelandês que gerencia o local, não percebi que a fila que me antecedia já havia acabado até chamarem meu nome. Nesse momento meu sangue congelou e passei a escutar apenas um zumbido que só deu lugar a contagem regressiva, devidamente interrompida pelo meu pânico.

Era isso, hora de saltar. Foi pra isso que vim, certo? Mais uma regressiva e, ridiculamente como quem pula na piscina fazendo bomba, lá fui eu. Enquanto caía, tentava racionalizar. Sei que depois do pânico vem a euforia mas eu mal tinha me entendido na situação já era hora de desatar os pés. Um loop e lá estava eu sentadinha depois da queda. Missão cumprida e eu mais do que super feliz.

Dali, após um breve almoço fomos para as Portas do Cerco. Chegamos no início do rush, e talvez por isso a segurança não nos viu gravando na área de imigração de Macau. Já era tarde para irmos ao Mercado Vermelho, então pegamos um shuttle e caímos no meio da área de jogo do Grand Lisboa.

Ilegalmente e na cara dura, andamos por entre as slots machines, falando e filmando e quando a segurança nos viu, rumamos discretamente para a saída. Honestamente era o nosso dia de sorte. Mais takes, mais repetições, outras coisas de Macau, joalherias que são na verdade casas de penhor e a aventura de explicar para o senhor que guiava o triciclo que queríamos ir em três naquela cadeirinha.

A fila a espera de taxis na frente do Casino Lisboa era gigantesca e novamente foi impossível não me sentir “alguém”. Fim do dia, já estávamos cansados e o cérebro corria lento. O passeio no triciclo foi mais umas das coisas típicas que eu nunca tinha feito. Encerramos o dia com bolinhos de bacalhau e voltar pra casa trouxe uma certa tristeza e vazio. Encerrada essa aventura, agora resta planejar a próxima “arte” da Sra. Carol (ouço minha mãe falar).

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Salvem os Beagles

Acompanhar o que se passa no Brasil estando fora do território nacional certamente viabiliza um outro ponto de vista sobre os acontecimentos.

O que tenho visto é que nós, brasileiros, reagimos apaixonadamente em relação ao que é apresentado, sem contudo parar para raciocinar. Tem uma imagem que não sai da minha mente enquanto leio as infinitas discussões na internet, que é a de um desenho em preto e branco, no estilo tirinha de jornal, onde uma multidão enfurecida (com direito a fumaça causada pela locomoção do grupo) ataca ferozmente certo ponto a direita, até que sua atenção é chamada para a esquerda, ficando nesse vai e vem infinito.

Não vejo daqui ninguém realmente se aprofundando em assunto algum. Apenas repetem-se informações superficiais... é a fúria do eco. Tome-se por exemplo os beagles do Instituto Royal: com base nisso soltaram uma lista no Facebook informando as empresas que se utilizam de testes em aquelas que supostamente não fazem uso desse recurso.

Posso estar incrivelmente enganada (e realmente espero estar), mas quantos dos compartilhadores dessa lista foram investigar a veracidade dessas informações? No site do PETA a lista de empresas que testam em animais é quase interminável. Basicamente tudo que existe no mundo moderno fez uso de testes, mas apenas algumas empresas foram postas na berlinda.

E mais, há quem afirme que tudo (sem excessão) um dia já passou por esse tipo de teste,  e que a tal lista do PETA refere-se a produtos finais que não seus componentes. Ou seja, cada um dos itens da longa lista que formam seu creme foram testados, mas o creme em si não. Oi?

Do que andei me informando as leis para testes em animais são bastante severas e consideram essa prática a última alternativa. Ok... ainda há o sofrimento dos pobres e indefesos bichinhos. Poderíamos testar na população carcerária então? Claro! Mas Hitler já fez isso e ele não foi muito bem visto pela História.

Então, se cada mínimo composto passa por esses testes (e espero que uma vez aprovado ele não se repita) qual seria a solução? Poderíamos regredir e abandonar a vida moderna... eu particularmente acho essa ideia linda! Mas não muito prática posto que a maioria dos seres humanos não iria gostar de não ter mais internet e micro-ondas.

A única resposta que vislumbro é vigilar... evitar abusos, práticas desnecessárias, nos tornarmos seres conscientes, que se importam com o mundo a sua volta (e de fato sabem o que esta se passando). E na medida do possível adotar práticas que ajudem o planeta a se manter saudável.

Eu estou tentando abandonar o consumo de carnes, todo e qualquer tipo. Não que não goste delas... mas por consciência. Além de respeitar a vida alheia eu sei como os frangos se desenvolvem nas granjas modernas e eles não são saudáveis, para não mencionar o procedimento de abate. Quisera eu ter a vida do Chico Bento, que trata seus animais com o devido respeito e só usa aquilo que a natureza oferece. Esse é o ideal. 

Também procuro plantar meus vegetais e evitar agrotóxicos, mas minha horta na janela está longe de fornecer tudo o que eu preciso.

Acho que a palavra chave para rumar a um mundo melhor seria respeito. Como no batido discurso dos círculos de água. Quando se atira uma pedra num lago sereno, dá-se a formação dos círculos. Resumo, mude você e suas atitudes para mudar o mundo. Pode parecer pouco, mas é alguma coisa e alguma coisa é muito melhor que nada.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Just a letter

Faz tempo que não escrevo, eu sei. Pergunto-me como tem andado? Como vai a vida? Se já realizou algum dos seus sonhos (ah, aquela longa lista que fica guardada num cantinho entre o cérebro e o coração). 

Tanta coisa aconteceu desde a última vez que nos falamos. Perderam um pouco da importância e a excitação do momento. Esse também eh um dos efeitos do tempo. Minimiza tudo, sejam boas ou más as experiências. 

A vida segue e eu continuo a me bater por ela. Mudei de endereço, várias vezes, mas percebi que o que me falta é me encontrar. Eu preciso saber onde e como posso achar o que falta, aquela coisa que eu não tenho a menor noção do que seja. Isso prejudica muito a busca... Não saber o que se procura. 

Não me leia mal. Estou feliz (ok, na grande maioria das vezes). Mas tem dias que fico patinando no mesmo lugar e tento entender o que me falta. Veja só, tenho uma vida boa, moro numa cidade exótica que oferece entretenimento 24h por dia, todos os dias do ano. Encontrei minha alma gêmea e tenho ate uma tentativa de emprego. Amigos me cercam e, coisa que nunca vivi antes, posso ter a companhia de vários deles a todo tempo! Coisa estranha viver longe da família, você se apega a estranhos e divide sua vida com eles numa rapidez assustadora. 

Comecei a te escrever pois não consigo me concentrar no trabalho. Há uma pilha de contratos a minha direita. Estou aqui sentada na sala do meu apartamento, olhando para as paredes vazias e pensando como aqueles dois quadros de vasos que estão no meu quarto ficariam lindos acima do sofá. Mas eles estão no Brasil, junto com minha Nina de quem sinto tanta falta que fica difícil controlar a avalanche de tristeza e saudade quando penso nela. 

Lá fora a Cotai Strip se exibe. Bem verdade que é mais impressionante a noite, com todas aquelas luzes. Finalmente tenho cortinas e agora podemos dormir.

Esta tudo imaculadamente limpo e não tenho outra desculpa se não começar a finalmente trabalhar. Mas nada... tudo que me cerca eh esse vazio e o cheiro do produto de limpeza. 

Penso tanto em você. Saudades... 

domingo, 23 de junho de 2013

Horóscopo

E hoje no meu horóscopo:

"Todos nós tendemos a projetar coisas de nossas almas sobre as outras pessoas, em maior ou menor grau, e em alguns momentos específicos. Convém, Carolina, neste momento, você avaliar melhor se aquilo que você tanto critica ou elogia em seu próximo está realmente no outro ou se é algo seu que se encontra projetado. Este pode ser um maravilhoso momento de complementaridade, em que surge alguém com as peças que faltavam para você montar um quebra-cabeças, mas pode também ser um momento de confronto, em que dolorosamente alguém lhe enfia o dedo na ferida."

Impressionante como as vezes a mensagem é tāo direta e pessoal.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Os Potes

E o que eu vi foram cacos. Todos os potes estāo quebrados, cada qual afundado em sua própria tristeza e dor, tão desesperados para achar uma maneira de se recompor que nāo conseguem ver que todos os potes estāo quebrados.

E vazios... abandonados a sua própria miséria.

Cada pote imagina estar em pior condição, quase ao pó. Isolados em suas prateleiras não podem formar um mosaico. Não encontram solução.

O pote maior sucumbiu a pressão do tempo. Partiu-se interiormente, mas por fora conserva uma aparência forte, bem estruturada. Quem olha não vê suas rachaduras profundas. Tão profundas que já comprometeram toda sua estrutura. Ele precisa de carinho, de colo, atençāo, saída. Ele precisa de uma vitrine que reconheça seu valor e não de mais peso inútil para abalar ainda mais suas frágeis estruturas. 

O pote médio, ao contrário, parece frágil. Acredita ser frágil, mas na realidade é o mais forte dessa triste coleção. É feito de barro e tem a força da natureza dentro. Mas se perdeu. Acredita que por ser barro é fraco, inferior, não nobre. Precisa descobrir seu valor e sua importância afinal plantas com raíz longa só se desenvolvem bem em firmes potes de barro.

Pobre potinho. Pensa que nāo é importante. Se perdeu na vida, abandonou seus sonhos, ideais e agora vaga a espera de alguém que lhe diga quanto vale. Tão preciso, tão único... conforma-se em ser xaxim de coco. Tão raro... ali, desperdiçado, escondido no quintal abandonado mas ainda guardando seu comprador, seu rumo, que seu destino se revele. 

Há tantos potes quebrados ao meu redor que me pergunto quando foi o terremoto que eu não vi.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O Universo manda recado: ALOHA!

Que engraçado como de fato o Universo conversa conosco. Basta prestarmos atenção aos sinais (sim, eu li O Segredo e super recomendo pois acredito que aquilo de fato funciona. Vide minha vida. Conselho: saiba pedir... pense cada mínimo detalhe porque você vai ser atendido exatamente como formular seu desejo).

Depois do post desabafo escrito abaixo, fui checar minha caixa de emails. Sempre recebo os informativos do Somos Todos Um mas nem sempre leio. So que hoje o seguinte título me chamou a atenção "Quem está com Você?". Impressionante, não? Colaciono aqui para compartilhar a mensagem escrita por Maria Silvia Orlovas.

Quem está com você?

Você já parou pra pensar nisso? Já se perguntou quem está com você?
Já viu que tem quem se aproxime da gente no momento de dor, sofrimento e até tenta de fato nos ajudar, mas ao melhorarmos e ficarmos bem, arrumarmos a vida, conseguirmos um bom emprego ou um namorado, a pessoa vai embora, parecendo estar com ciúmes, ou mesmo inveja? Pois bem, comigo isso já aconteceu. E com você?
Acho inveja uma coisa deplorável, mas real. Tão real quanto o próprio sofrimento, quanto o desapontamento quando algo não dá certo. Já ouvi muita gente dizer que "conhecemos os amigos quando precisamos deles", quando levamos um susto da vida e as pessoas surgem para nos ajudar. Mas estou achando mais difícil manter amigos quando ficamos bem, vivemos em harmonia, quando temos uma condição financeira equilibrada. Olha que nem estou falando de riqueza, porque aí é outro departamento... e para falar a verdade, não conheço, por isso nem vou dizer nada. Falo sobre amizade verdadeira, de pessoas reais, que conseguem ficar conosco quando estamos bem e também quando estamos mal. E tenho visto que tem sido bem difícil encontrar esse tipo de gente que consegue suportar a felicidade alheia.
Triste perceber isso, triste pensar na inveja porque é fruto da ignorância, e não falo de burrice pura e simples, falo de ignorância mesmo, de pessoas que desconhecem o caminho do outro, o esforço de quem conquistou algo legal, de merecimento espiritual, de conquistas.
Inveja nos afasta de Deus e das pessoas, porque quando sentimos inveja de alguém estamos olhando para aquilo que as pessoas têm no momento, sem saber de nada do passado, sem medir o esforço alheio, sem saber nada do karma dou outro, nem de qualquer mérito ou demérito de vidas passadas.
Assim, amigo leitor, acho sempre muito bom analisar a postura de quem está com a gente. Olhe, observe quem está ao seu lado, quem compactua, quem se afina com sua vibração, pois de nada adianta ficar agradando as pessoas para que elas se sintam queridas e permaneçam ao seu lado, como também não resolve se fechar num mundo bem pequenininho para não sofrer. Porque às vezes esse sentimento feio vem da família, até de irmãos. E desses próximos que na verdade não o são; assim, não temos como nos defender.
Por isso que me encantei tão profundamente com o significado espiritual de Aloha, saudação havaiana. Aloha saúda a prosperidade, o amor, a felicidade alheia, de uma forma generosa, abundante como a boa vida deve ser. Aloha eleva a consciência e nos aproxima da bem-aventurança, de tudo aquilo de bom que queremos para nós.
Descobri que quando olhamos para a vida com o sentimento abundante do Aloha, estamos entrando na sintonia do poder divino mais completo, mais generoso. E desde que comecei a praticar ativamente o Hooponopono, e agora com mais a compreensão do Aloha, entendo que estão sendo reveladas novas formas de acessar ferramentas antigas, porque essas afirmações e formas de agir já existiam há muito tempo. 
(...)
Acho que está na hora de você começar a olhar com mais cuidado para quem está do seu lado e buscar com alegria ficar na companhia de Deus, porque pode ser que as pessoas à sua volta ainda estejam numa vibração complicada, mas você não precisa ficar assim (...).




quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Broken heart


Eu não sei se eu lhe desejaria passar incólume pela vida, sem nunca ter tido seu coração despedaçado. O que eu provavelmente recomendaria é que isso acontecesse o quanto antes, preferencialmente ainda na sua adolescência, quando o corpo cura mais rápido e as feridas, ainda que potencialmente letais, causam menos dano.

Ao dizer isso não estou lhe desejando mal. Na verdade estou ofertando a possibilidade de um crescimento ímpar num curto espaço de tempo. Um coração partido é uma descoberta quase científica, cuja vivencia ensina muito mais do que qualquer excelente teoria.

Não se preocupe, não tenha medo. Cedo ou tarde você vai concluir esse ciclo e perceber que você se transformou. Aproveite a lição para se tornar alguém melhor.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Rachaduras


Falar sem pensar invariavelmente é um problema. Dar asas a imaginação, criar desdobramentos para uma única cena e daí assumir que suas conclusões são verdades absolutas e então sair acusando é no mínimo, uma temeridade.

Relacionamentos são complicados. Por mais que se ame, respeite e admire a pessoa ao lado, há sempre uma voz (infame) no fundo da sua cabeça que te coloca a pensar... a questionar o que você tem (por melhor que seja).

Afinal... nada pode ser assim tão bom, certo? Não existe a felicidade absoluta, logo, se tudo aparenta ser tão perfeito é porque certamente há algo muito errado que não estamos enxergando. 

Aí a paranoia assume as rédeas e você deixa de responder por si. Perde-se em suas próprias fantasias acreditando que as teorias mais mirabolantes possíveis são de fato a realidade, e a realidade de fato é mera ficção.

Com isso desencadeia-se uma série de questionamentos, testes e provocações (vulgo, alfinetadas), até culminar na fatídica DR (carinhoso apelido para “discutir a relação”). Aflora-se um turbilhão de sentimentos incubados e alimentados somente por você, e o outro, alvo de artilharia pesada, fica ali, rindo meio bobo, sem entender o que está acontecendo.

Até que ele percebe que não está rindo por ser bobo, mas por achar aquela situação tão ridícula e tão fantasiosa que não há outra reação imediata possível. Sim, porque passado o choque inicial, vem aquela onda de revolta. 

“Como assim você desconfia de mim? Que absurdo é esse? Por que eu não faço nada mais na minha vida que me dedicar a você... e ainda assim você não confia em mim?” E pronto, armou-se a zona de guerra. Eis que o outro começa a refletir e sua conclusão (lógica) é que se você desconfia é porque não é digno de confiança... inverte-se os papéis e o acusador de repente se dá conta da grande bobagem que fez. 

Mas agora já é tarde. O acusado, vítima no caso, já está processando as informações, e ele mesmo já criou suas próprias teorias mirabolantes, com soluções e desculpas estapafúrdias, mas que em sua concepção fazem todo o sentido do mundo, exatamente o mesmo processo pelo qual passou o acusador. 

E nessas horas, se não há uma base sólida (sim, porque apaixonados tendem a ser ridículos), tudo aquilo que foi construído com tanto amor e dedicação desmorona tal qual prédio implodido.

Não peque por isso. Ter dúvidas parece-me ser normal, e você pode (e deve) saná-las o mais breve possível (não convém criar um monstro embaixo da sua cama). Todavia escolha muito bem o método de abordagem. Sabendo perguntar, não há pergunta que ofenda.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Pratique o desapego


Quantas vezes você já se viu preso a uma situação insustentável, e desejou ter coragem o suficiente para jogar tudo pro alto e viver a vida como você acha que deveria vivê-la. E quantas vezes você foi atrás de um sonho?

Reclamar que as coisas não vão bem, que a vida moderna é muito estressante, que o trabalho lhe consome o tempo que deveria ser de qualidade é até bastante fácil. O difícil é abrir mão dessa situação, que por pior que lhe pareça ainda assim lhe traz a segurança da rotina e o conforto do ordinário.

O que a maioria das pessoas não percebe é que tudo nessa vida é passageiro e nada pertence de fato a nós. O que nos resta, no fim das contas, é a experiência vivida e as lições aprendidas, que solidificaram a sua evolução para se tornar uma pessoa melhor.

Portanto, se você se encontra nessa encruzilhada, arrisque. Tenha coragem de viver a vida como você gostaria de verdade. Por pior que possa ser o resultado, ainda sim você vai ter a vivência e a ótima sensação de ter feito algo por você. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Daqui cinco anos‏

Alguma vez você já se obrigou a fazer uma projeção mental sobre o seu futuro? Na tentativa de descobrir como você estará a, por exemplo, cinco anos? Estou nessa função já tem dias e não pensei que fosse algo tão difícil. Daí me pergunto se é difícil só para mim ou olhar para o futuro é algo que comumente não fazemos.

Pela minha experiência eu sei o que eu quero ter, como quero viver, com quem gostaria de estar, mas não tenho a menor pista de como chegar lá. Isso inevitavelmente me leva a questionar quando perdi meus objetivos.

Por mais que eu pense não consigo lembrar porquê deixei de sonhar e quando foi que passei a somente existir. Eu não era assim... sempre tive tantos planos, mediatos e imediatos, estratégias, segundas opções. E agora, nada. Há um branco tanto para o meu passado quanto para o meu futuro.

Viva um dia de cada vez, aproveite o presente, e tantos outros conselhos no mesmo sentido. Foi isso que eu adotei... e foi assim que me perdi.

O presente é muito importante, mas também o é o futuro e o passado. Esse pelas lições aprendidas e aquele pelas metas que impõe.

Assim, quando me perguntam o que quero ser, onde quero estar ou o que estarei fazendo em cinco anos e essa neblina me abraça como resposta, só me resta mesmo esperar até que ela dissipe. Lanternas ou luzes não ajudam nessas condições.

Acredito que as manhãs guardam o véu da natureza, logo, não tenho qualquer intenção de esperar o dia inteiro para me mexer. Contudo não acho prudente sair correndo as cegas.

Em resposta ao título (e a sua pergunta), daqui a cinco anos eu gostaria de ser segura de mim. De estar feliz, em uma boa casa, com um bom emprego (não sei qual, não sei o que... só sei que tem que ser algo que me satisfaça), talvez com uma família (começo a ter medo dessa ideia porque, de repente, os filhos que eu tanto desejei passaram a ser a razão de toda essa urgência de ser bem-sucedida, sem me deixar tempo ou margem para errar e começar de novo).

Onde será isso? Não sei... mas sei onde não será... em Foz por exemplo. Não quero voltar para lá. Por tudo que se apresenta, a resposta lógica é o Rio, mas isso não significa que eu quero ir para lá... bem como também não significa que eu não quero. É complicado. Quando estava lá eu gostei. Até consegui visualizar nossa vida ali...

Mas já me disseram uma vez: a felicidade está onde você consegue ganhar dinheiro. Imagino que você consiga deduzir o autor da brilhante frase. Infelizmente, é isso que tem nos guiado.

“A Europa está em crise”, “o procedimento nos EUA é tão ou mais complicado que no Brasil”. Bem... sem Europa e Estados Unidos só nos resta mesmo viver no Brasil, já que a África significa o fim da nossa caminhada juntos. E sendo o Brasil a única opção, pela mais absoluta falta de alternativa, ficamos com o Rio.

Dessa forma você tem sua resposta. Daqui a cinco anos estaremos morando no Rio. Em que condições? Não tenho ideia. Se teremos ou não emprego, casa, carro ou dinheiro, isso ficará a cargo do futuro. Por óbvio nos manteremos já que somos perfeitamente capazes de fazê-lo, mas isso não quer dizer que estaremos no seu mundo cor de rosa, nem tampouco nas minhas projeções cinzas.

Só espero que estejamos felizes, ou eu, ao menos, conformada.

domingo, 24 de junho de 2012

O Poder da Flanela


Tem dias em que tudo está uma bagunça. Você está uma bagunça. De forma que todas as coisas rodopiam ao seu redor e você não consegue concatenar suas idéias. E então... como se reorganizar? Como fazer para voltar ao seu centro e reencontrar o seu equilíbrio?

Estava eu aqui zanzando. Passei o dia carregando um enorme baú. Às vezes fica essa tristeza comigo. Essa solidão tão profunda que se houvesse um poço ali seria um bom lugar para contemplar o céu... já que do ponto de vista de quem está lá embaixo, o céu é bem pequeno e pouco estrelado tal qual o dia que se está tendo ou a perspectiva que se consegue visualizar nessa determinada situação.

Assim comecei do topo. Literalmente. Subi na cadeira e tirei tudo o que tinha na primeira prateleira. Basicamente porta-retratos, um rádio velho e sem uso, um castiçal com uma vela branca, um athame e um pequeno caldeirão. Ah, e claro... muito pó.

Depois das prateleiras, arrumar a escrivaninha, a cômoda, aquele movelzinho que fica ao lado do espelho e o guarda-roupas. Por fim, as gavetas sob a cama (um dia eu ainda mando fazer a gaveta que perdi na mudança, na minha triste volta prá casa).

Toda essa arrumação deve ser feita sem pressa. Preferencialmente com uma ótima trilha sonora. sugiro um mix de Ben Harper + Jack Jonhson... tranquilo, triste o suficiente e com uma boa mensagem... musiquinhas que fazem bem à alma.

Também é bom que se dê atenção as tarefas, e assim sendo, é uma ação solitária. Pode parecer uma incoerência... ficar sozinha para se sentir menos só. Mas hoje durante todo o dia eu estive cercada de pessoas. Colegas de trabalho, aqueles que foram procurar ajuda e orientação, vendedores e pessoas que simplesmente erraram a porta. Além, claro, das várias janelinhas de bate-papo pipocantes no meu computador. Só que ninguém preencheu esse vazio.

Lá no fundo eu queria um colo. E eu não estou me referindo a minha mãe, que viria de bom grado se eu pedisse. Também estou avessa aos amigos hoje. Na verdade, eu sei quem eu queria aqui prá me fazer companhia. Só que ele não existe. Ao menos não na minha vida.

Dizem que a sina daqueles nascidos sob a regência do signo de aquário é a solidão. Pois de acordo com o infeliz que escreveu os deveres e obrigações de cada casa do zodíaco, nós temos a liberdade como dádiva, para que possamos criar e levar a espécie humana à evolução. Não sei os demais aquarianos, mas eu odeio essa incumbência. E para meu grande azar, sou tal qual a descrição dada pelos astrólogos.

Quem sabe na próxima encarnação não tenho mais sorte e nasço sob o signo de câncer ou libra... sei lá. Qualquer um que não se isole do resto do mundo já estaria de bom tamanho.

Ou talvez isso não tenha nada a ver com o meu horóscopo. Talvez seja meu destino carregar esse baú as vezes. Mas isso já é filosofia de faxina.

Devagar as coisas vão voltando aos seus devidos lugares. Limpas e organizadas. Assim também os sentimentos que habitam dentro de mim. E com sorte, ao final de toda essa “crise de Maria” eu consiga me encontrar.